Numa noite chuvosa de um domingo o dia todo quente, ele saiu à rua dirigindo o seu coupé cabriolet com a capota retraída e um boné na cabeça. O boné, preto, tinha bordada a palavra BUCETA, em corpo suficientemente grande para ser lida por quem estava na calçada mesmo quando ele acelerava fundo o seu CC importado. As rodas eram de liga-leve, cromadas, de 19 polegadas. A palavra BUCETA era em dourado.
Porque nada mais fazia sentido para ele. Foda-se.
Foda-se inclusive a água que caía dentro do carro e ameaçava os bancos de camurça.
No cruzamento de duas avenidas desertas ele passou riscando, nem viu o farol vermelho. Nada aconteceu, não vinha carro algum para bater no dele.
Durante três minutos ele tentou acender um cigarro, mas não conseguiu por causa da chuva e do vento. Deixa pra lá, então.
Foda-se.
Era uma noite ainda quente, nesta cidade.
Horas depois a segunda-feira começaria de fato.
E onde estaria ele quando isso acontecesse?
Who knows? And, frankly, who gives a damn?
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